Medicina Veterinária

Big Data: a próxima revolução na Medicina Veterinária

Big data é a próxima revolução da medicina veterinária

O Big Data veio democratizar o business intelligence e acelerar a tomada de decisões, que acontecem agora em tempo real para qualquer pessoa de uma empresa, a partir de qualquer lugar ou dispositivo. Contudo, apesar da quantidade de informação hoje recolhida são ainda muito poucas as organizações que já transformam os dados que recolhem em verdadeira informação. O setor da saúde é um dos que reserva maior potencial e a área da medicina veterinária não é diferente.

Daniel Aja, Chief Medical Officer no Banfield Pet Hospital, nos EUA, publicou recentemente no seu LinkedIn um artigo em que explica de que forma a cadeia de clínicas veterinárias está a conseguir revolucionar os cuidados que presta aos seus pacientes com recurso aos dados que recolhe.

De acordo com o médico veterinário, “os nossos associados prestam cuidados a mais de 3 milhões de animais de estimação em mais de 975 hospitais todos os anos. Ainda mais importante, todas as visitas de animais são registadas no nosso sistema eletrónico, dando-nos acesso a milhões de dados de saúde que nos oferecem conhecimentos sem paralelo em relação à saúde de cada um dos animais. Isto permite-nos agregar dados de saúde e monitorizar tendências e problemas emergentes que possam ter impacto na saúde dos animais”.

Uma das coisas mais importantes que esta rede de hospitais veterinários está a conseguir fazer graças aos dados que recolhe é criar relatórios que permitam perceber que problemas de saúde podem representar um perigo para a saúde pública. Com recurso a uma equipa de investigação, a equipa do Banfield Pet Hospital faz uso dos dados que recolhe todos os dias e tentar perceber quais os problemas que devem ser endereçados com mais urgência.

Este ano, o foco esteve na resistência aos antibióticos, um problema mundial, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, que merece a atenção dos vários ramos da Ciência, incluindo a Medicina Veterinária, tendo em conta a importância destes fármacos no combate das doenças infeciosas.

O estudo publicado este ano pela rede de hospitais norte-americana revela que a resistência aos antibióticos deve ser uma das prioridades dos médicos veterinários, mostrando que 45% dos médicos veterinários de animais de companhia estão preocupados com este problema.

Os dados recentemente revelados mostram também que 62% dos médicos veterinários de animais de companhia acreditam que a utilização de antibióticos na prática de pequenos animais tem impacto na resistência aos antibióticos.

Mas não é apenas nos EUA que a medicina veterinária começa a olhar para os dados que recolhe para encontrar formas de monitorizar tendências e melhorar os cuidados prestados aos animais. No Reino Unido foi criada a Small Animal Veterinary Surveillance Network (SAVSNET), uma rede que utiliza o big data para monitorizar as doenças animais que mais afetam a região e identificar tendências.

Isto significa que os médicos veterinários podem, assim, focar as suas intervenções nos maiores fatores de risco para as doenças mais identificadas na população animal do Reino Unido.

Por outro lado, esta equipa britânica acredita que este trabalho de análise de dados pode ter paralelo com a medicina humana, já que a forma como a medicina veterinária está a tratar estes dados pode servir de exemplo na medicina humana e ainda servir para endereçar doenças partilhadas ou zoonóticas.