Vet Summit 2017

150 médicos veterinários na 2ª edição do Vet Summit

Vet Summit - Veterinária Atual

A segunda edição do Vet Summit, o Encontro Anual para Médicos Veterinários de Animais de Companhia, reuniu mais de 150 médicos veterinários no Lux Lisboa Park Hotel para discutirem os desafios mais atuais da Medicina Interna.

O evento começou com a intervenção de Rodolfo Oliveira Leal, que centrou atenções nos mitos e verdades sobre a doença renal em gatos. O médico veterinário diplomado em Medicina Interna pelo Colégio Europeu de Medicina Interna interagiu de perto com a audiência, a quem foi fazendo questões sobre doença renal e se esta pode ser provocada por vírus. De acordo com o especialista são precisos mais estudos nesta área. Rodolfo Oliveira Leal analisou ainda os novos biomarcadores e a sua relevância para o diagnóstico precoce da doença, com destaque para o SDMA, o novo biomarcador na função renal.

Rodolfo Oliveira Leal no Vet Summit 2017

Rodolfo Oliveira Leal no Vet Summit 2017

Seguiu-se a palestra de Paula Brilhante Simões, que se centrou na interpretação teórica da urianálise e de como os médicos veterinários podem tirar partido daquela que é uma das mais importantes ferramentas de diagnóstico. Depois do coffee break foi a vez de Coralie Bertolani, diplomada pelo Colégio Europeu de Medicina Interna, analisar a relação entre a Leishmaniose e a Doença Renal. A oradora vive em Palma de Maiorca, uma região com forte presença da doença (“temos tanta Leishmaniose como alemães em Palma de Maiorca”) e referiu que a insuficiência renal cronica é “uma das causas mais frequentes de morte por Leishmaniose”.

Paula Brilhante Simões no Vet Summit 2017

Paula Brilhante Simões no Vet Summit 2017

Como exemplos, Coralie Bertolani apresentou vários casos clínicos e referiu que a citologia é a forma mais rápida para identificar a Leishmaniose e mais rápida face à biópsia. A oradora abordou ainda a questão do tratamento, dos efeitos secundários associados a vários fármacos e chamou a atenção para o aumento preocupante das resistências aos fármacos para tratamento da Leishmaniose. Daí que a prevenção seja muito importante para evitar as resistências. “Já existe um artigo publicado sobre resistências a fármacos em cães e de casos em que são necessárias doses mais elevadas de medicamentos”.

Coralie Bertolani - Veterinária Atual

Oftalmologia, comportamento e gestão

O período da parte começou com a palestra de Cristina Seruca, especialista em Oftalmologia Veterinária, que começou com uma abordagem à anatomia do globo ocular. A partir daí apresentou uma série de casos clínicos e pediu ajuda da plateia sobre a melhor resolução para cada um. Em destaque esteve a Uveíte, que pode ter causas oculares ou não oculares, tendo sido referida a uveíte do Golden Retriever por ser específica da raça, por ser uma doença imunomediada e por se acreditar que é hereditária. Para a médica veterinária, o mais importante para o diagnóstico é a história clínica e o exame físico.

Cristina Seruca no Vet Summit 2017

Cristina Seruca no Vet Summit 2017

Já Gonçalo da Graça Pereira, diplomado em Medicina do Comportamento e Bem-Estar, Ética e Lei ocupou-se das questões comportamentais associadas à doença endócrina. Com recurso a vários casos clínicos e vídeos, o médico veterinário analisou vários casos em que as alterações comportamentais estão relacionadas com outras patologias e referiu que o stresse tem efeitos diretos na diabetes.

Gonçalo Graça Pereira no Vet Summit

Gonçalo Graça Pereira no Vet Summit

O evento terminou com a discussão, em formato mesa redonda, sobre como adaptar os tratamentos de última geração à realidade portuguesa. E se o cliente não puder pagar? Elisabete Capitão, responsável pela REVET, conduziu o debate que teve como participantes Jorge Cid, bastonário da OMD, Lisa Mestrinho, presidente da APMVEAC, Isabel Maia, do Hospital Veterinário de Viseu, Ricardo Almeida, da Vet Póvoa e Rodolfo Oliveira Leal.

Todos os intervenientes concordaram que existe uma falta de perceção de valor do médico veterinário e que é necessário que o médico veterinário comece a valorizar o seu trabalho, para que o cliente também o valorize. O fenómeno low-cost também foi debatido e, segundo Ricardo Almeida, até pode funcionar, mas apenas num modelo de verdadeiro low-cost, em que a clínica se limite a fazer vacinas, por exemplo, e esqueça as outras áreas de atuação.

Elisabete Capitão, Ricardo Almeida da Vet Póvoa, Lisa Mestrinho, Presidente da APMVEAC, Jorge Cid, Bastonário da OMV, Isabel Maia, do Hospital Veterinário de Viseu, e Rodolfo Oliveira Leal

Elisabete Capitão, Ricardo Almeida da Vet Póvoa, Lisa Mestrinho, Presidente da APMVEAC, Jorge Cid, Bastonário da OMV, Isabel Maia, do Hospital Veterinário de Viseu, e Rodolfo Oliveira Leal

A questão dos seguros também foi analisada uma vez que pode ser uma boa prática de medicina preventiva, sendo importante incutir o hábito para haver uma cultura de seguro. Pois para Jorge Cid, atualmente apenas temos um seguro de saúde, os restantes apenas são cartões de desconto.

Lisa Mestrinho referiu um estudo segundo o qual as famílias gastam mais em alimentação e grooming para os animais de estimação do que no médico veterinário. Cabe então a estes profissionais saber comunicar os seus serviços junto do público, pois os donos estariam mais recetivos a gastar mais se soubessem o que é feito na clínica veterinária ao seu animal.

Na opinião do médico veterinário Ricardo Almeida “as pessoas não fazem a mínima noção do que nós fazemos, então não nos valorizam”.